Indícios e registros da “realidade da crise”

A pesquisa etnográfica com documentos e suas possibilidades

Autores/as

  • Lucas de Magalhães Freire Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil

Palabras clave:

documentos, etnografía, crisis, materialidad

Resumen

El artículo se divide en dos partes. En la primera de ellas, analizo las transformaciones de la relación entre la Antropología y los documentos a lo largo de la historia de la disciplina. Si, en un primer momento, los registros escritos fueron fundamentales para el desarrollo de los primeros esfuerzos comparativos, con la llegada de la etnografía y de la observación participante los documentos pasaron a ser objeto de sospechas. También me ocupo de cómo se han “recuperado” los documentos en la investigación antropológica desde mediados de la década de 1980. En la segunda parte, recupero algunos datos de una etnografía llevada a cabo entre los años de 2016 y 2017 para reflexionar sobre el papel de los documentos en la disputa por la definición de la “crisis de la salud” en la ciudad de Río de Janeiro. A partir de la combinación de diferentes tipos de documentos, elaboro un marco sobre los diferentes aspectos de las versiones oficiales y contraversiones de la crisis. Así, busco discutir cómo los documentos se constituyen simultáneamente como indicios y registros de la realidad, influyendo en la percepción y confiriendo materialidad a la crisis. Por último, hago algunas observaciones sobre las posibilidades de la investigación etnográfica con documentos en contextos contemporáneos.

Citas

Asad, Talal (ed.) (1975). Anthropology and the colonial encounter. London, Ithaca press.

Boltanski, Luc e Thévenot, Laurent (1991). De la justification: les économies de la grandeur. Paris, Gallimard.

Butler, Judith (2015). Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto?. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.

Carrara, Sérgio (1998). Crime e loucura: o aparecimento do manicômio judiciário na passagem do século. Rio de Janeiro/São Paulo, Ed. da UERJ/Edusp, 1998

Castro, Celso (2005). Evolucionismo cultural: textos de Morgan, Tylor e Frazer. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.

Castro, Celso (2008). Pesquisando em arquivos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.

Castro, Celso e Cunha, Olívia Maria Gomes da (2005). “Quando o campo é o arquivo”, Estudos Históricos, Vol. 2, N. 36, pp. 3-5.

Clifford, James (2002). A experiência etnográfica: antropologia e literatura no século XX. Rio de Janeiro, Ed. UFRJ.

Clifford, James and Marcus, George (ed.) (1986). Writing Culture: the poetics and politics of ethnography. Los Angeles/Berkley, University of California Press.

Cunha, Olívia Maria Gomes da (2004). “Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo”, Mana, Vol. 10, N. 2, pp. 287-322.

Cunha, Olívia Maria Gomes da (2005). “Do ponto de vista de quem? Diálogos, olhares e etnografias dos/nos arquivos”, Estudos históricos, Vol. 2, N. 36, pp. 7-32.

Durkheim, Émile; Mauss, Marcel (1978). “Algumas formas primitivas de classificação”. Em: Rodrigues, José Albertino (org.): Émile Durkheim: sociologia. (Coleção Grandes Cientistas Sociais). São Paulo, Ática, pp. 183-203.

Evans, Gilles (2014). “What documents make possible: Realizing London’s Olympic legacy”. En: Harvey, Penny et al. (Ed.): Objects and Materials. New York, Routledge, pp. 399-408.

Evans-Pritchard, Edward (1951). Social Anthropology and Others Essays. Nova York, Free Press.

Evans-Pritchard, Edward (2005a). Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande. Rio de Janeiro, Zahar.

Evans-Pritchard, Edward (2005b). Os Nuer: uma descrição do modo de subsistência e das instituições políticas de um povo nilota. São Paulo, Perspectiva.

Farias, Juliana (2020). Governo de mortes: uma etnografia da gestão de populações de favelas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Papéis Selvagens.

Ferreira, Letícia (2009). Dos autos da cova rasa: a identificação de corpos não-identificados no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, 1942-1960. Rio de Janeiro, E-papers/Laced.

Ferreira, Letícia (2013). “´Apenas preencher papel´: reflexões sobre registros policiais de desaparecimento de pessoa e outros documentos”, Mana, Vol. 19, N. 1, pp. 39-68.

Ferreira, Letícia (2015). Pessoas desaparecidas: uma etnografia para muitas ausências. Rio de Janeiro, Ed. UFRJ.

Freire, Lucas (2016). “Sujeitos de papel: sobre a materialização de pessoas transexuais e a regulação do acesso a direitos”, Cadernos Pagu, N. 48, pp. 1-34.

Giumbelli, Emerson (2002). “Para além do ‘trabalho de campo’: reflexões supostamente malinowskianas”, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 17, N. 48, pp. 91-107.

Goffman, Erving (2012). Os Quadros da Experiência Social: uma perspectiva de análise. Petrópolis, Vozes.

Gupta, Akhil (2012). Red Tape: bureaucracy, structural violence, and poverty in India. Durham/Londres, Duke University Press.

Hull, Matthew (2012). “Documents and Bureaucracy”, Annual Review of Anthropology, Vol. 41, pp.251-267.

Ingold, Tim (2015). “Antropologia não é etnografia”, en: Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis, Vozes, pp. 327-47.

Isräel, Liora (2012). “L’usage des archives en sociologie”, en Paugam, Serge (dir.): L’enquête sociologique. Paris, Presses Universitaires de France.

Lacerda, Paula (2015). Meninos de Altamira: violência, “luta” política e administração pública. Rio de Janeiro, Garamond.

Latour, Bruno (2000). Ciência em Ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedadeafora. São Paulo, Ed. UNESP.

Latour, Bruno (2012). Reagregando o social: uma introdução à teoria do Ator-Rede. Salvador/Bauru, EdUFBA, EDUSC.

Leach, Edmund (2014). Sistemas Políticos da Alta Birmânia: um estudo da estrutura social Kachin. São Paulo, EdUSP.

Lowenkron, Laura (2015). O monstro contemporâneo: a construção social da pedofilia em múltiplos planos. Rio de Janeiro, EdUERJ.

Lowenkron, Laura e Ferreira, Letícia (2020). “Perspectivas antropológicas sobre documentos: diálogos etnográficos na trilha dos papéis policiais”. Em: Ferreira, Leticia e Lowenkron, Laura (org.): Etnografia de documentos: pesquisas antropológicas entre papéis, carimbos e burocracias. Rio de Janeiro, E-papers. pp. 17-52.

Lugones, María Gabriela (2012). Obrando en autos, obrando en vidas: formas y fórmulas de protección judicial en los tribunales prevencionales de menores de Córdoba, Argentina, a comienzos del siglo XXI. Rio de Janeiro, E-papers/Laced.

Malinowski, Bronislaw (2018). Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo, Ubu.

Milito, Claudia y Silva, Hélio (1995). Vozes do meio-fio. Rio de Janeiro, Relume-Dumará.

Morgan, Lewis Henry (1871). Systems of Consanguinity and Affinity of the Human Family. Washington, Smithsonian Institution.

Muzzopappa, Eva (2016). “Lógicas burocráticas: rastros y trazas desdeun archivo de inteligencia”, DILEMAS, Vol. 9, N. 2, pp. 251-270.

Muzzopappa, Eva y Villalta, Carla (2011). “Los documentos como campo. Reflexiones teóricometodológicas sobre um enfoque etnográfico de archivos y documentos estatales”, Revista Colombiana de Antropología, Vol. 47, N. 1, pp. 13-42.

Nadai, Larissa (2012). Descrever crimes, decifrar convenções narrativas: uma etnografia entre documentos oficias da Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas em casos de estupro e atentado violento ao pudor. (Dissertação de Mestrado em Antropologia Social). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas.

Nadai, Larissa (2018). Entre pedaços, corpos, técnicas e vestígios: o Instituto Médico Legal e suas tramas. (Tese de Doutorado em Ciências Sociais). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas.

Onto, Gustavo (2016). Ficções econômicas e realidades jurídicas: uma etnografia da política de defesa da concorrência no Brasil. (Tese de Doutorado em Antropologia Social). Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Peirano, Mariza (2014). “Etnografia não é método”, Horizontes Antropológicos, N. 42, pp. 377-391.

Riles, Annelise (2006). Documents: artifacts of modern knowledge. Ann Arbor, University of Michigan Press.

Roitman, Janet (2014). Anti-Crisis. Durham/London, Duke University Press.

Silva, Martinho Braga Batista e (2011). Entre o 'desmame' e os 'galinha d'água': a vida fora dos hospícios no contexto da primeira condenação do Brasil por violação de direitos humanos. (Tese de Doutorado em Antropologia Social). Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Stoler, Ann Laura (2002). “Colonial archives and the art of governance”, Archival Science, Vol. 2, pp.87-109.

Stoler, Ann Laura (2009). Along the Archival Grain: epistemic anxieties and colonial common sense. Princeton, Princeton University Press.

Tylor, Edward Burnett (1958). Primitive Culture. Nova York, Harper Torchbook.

Veiga, Cilmara (2018). O caso do Maníaco Matador de Velhinhas: entre trâmites processuais e diferentes formas de narrar que enredam um crime em série. (Dissertação de Mestrado em Antropologia Social). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas.

Vianna, Adriana (1999). O mal que se advinha: polícia e menoridade no Rio de Janeiro, 1910-1920. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional.

Vianna, Adriana (2002). Limites da menoridade: tutela, família e autoridade em julgamento. (Tese de Doutorado em Antropologia Social). Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Vianna, Adriana (2014). “Etnografando documentos: uma antropóloga em meio a processos judiciais”, en Castilho, Sergio; Souza Lima, Antonio Carlos e Teixeira, Carla (org.): Antropologia das práticas de poder: reflexões etnográficas entre burocratas, elites e corporações. Rio de Janeiro, Contra Capa/FAPERJ, pp. 43-70.

Villalta, Carla. (2006). Entregas y secuestros: la apropiación de “menores” por parte del Estado. (Tesis de doctorado en Ciencias Antropológicas). Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires.

Weber, Florance (2009). Trabalho fora do trabalho: uma etnografia das percepções. Rio de Janeiro, Garamond.

Descargas

Publicado

2022-09-28

Cómo citar

Freire, L. de M. (2022). Indícios e registros da “realidade da crise”: A pesquisa etnográfica com documentos e suas possibilidades. Etnografías Contemporáneas, 8(15). Recuperado a partir de http://revistasacademicas.unsam.edu.ar/index.php/etnocontemp/article/view/1217

Número

Sección

Dossier: La antropología y los documentos. Reflexiones y propuestas metodológica